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Paraguai aprova impeachment de Peña e presidente é detido em casa

Senado rejeitou a renúncia de Santiago Peña; vice-presidente Pedro Alliana assume o cargo enquanto o ex-mandatário fica em prisão domiciliar.

• 3 min de leitura • Por Redação Estadão Roraima
Paraguai aprova impeachment de Peña e presidente é detido em casa
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O Senado paraguaio aprovou por unanimidade, nesta sexta-feira (6), o impeachment do presidente Santiago Peña, com 44 votos favoráveis e uma abstenção. A decisão ocorreu apesar de Peña ter anunciado sua renúncia à Presidência na quinta-feira (5), pedido que não foi aceito pela Casa legislativa. Na noite de sexta-feira (6), o ex-mandatário foi detido pela Polícia Paraguaia, após uma ordem de prisão emitida pelo Ministério Público, e permanece em prisão domiciliar em sua residência em Assunção.

A crise que levou ao processo de destituição teve como pano de fundo a intervenção do Banco Central no Ueno Bank. O Ministério Público iniciou investigações contra Peña e o ex-presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, por suspeitas de abuso de confiança e tráfico de influência. O processo de impeachment, que contou com cinco fases, foi concluído em 6 de novembro, após o Senado rejeitar um pedido de Peña para ampliar seu prazo de defesa de 12 para 72 horas. O presidente destituído foi representado pelos advogados Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda.

A detenção de Peña, que está em prisão domiciliar sem tornozeleira eletrônica até uma decisão judicial, segue a ordem do Ministério Público. Ele foi informado de que permanecerá em sua residência até ser colocado à disposição da Unidade Especializada em Crimes Econômicos e Anticorrupção do Ministério Público. As acusações formais ainda não foram apresentadas, com o órgão prometendo analisar as provas antes de formalizá-las.

A intervenção no Ueno Bank, iniciada pelo Banco Central na terça-feira (3), resultou no bloqueio de contas de aproximadamente 3 milhões de clientes e na administração de cerca de US$ 850 milhões em depósitos. A medida foi tomada em meio a problemas de solvência da instituição financeira digital, desencadeando uma série de protestos e intensificando a pressão sobre o governo.

Com a saída de Santiago Peña, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência para concluir o mandato, previsto para terminar em 2028. A transição ocorre em um momento de instabilidade política e econômica no Paraguai, com a atenção voltada para os próximos passos da investigação e as implicações para o cenário nacional.

A crise bancária também reverberou no futebol paraguaio. Conforme uma fonte da Conmebol, a entidade tem cerca de 13 milhões de dólares depositados no Ueno Bank, em um certificado de depósito a prazo fixo, embora o valor não afete a operacionalidade da Confederação. O Ueno Bank, que patrocinava a Copa Sul-Americana, tem contrato até dezembro e não será renovado, segundo a mesma fonte. No âmbito local, de acordo com Rogelio Delgado, presidente da Futbolistas Asociados del Paraguay, muitos jogadores foram afetados, já que o banco era patrocinador de equipes importantes da primeira divisão, como Olimpia, Cerro Porteño, Guaraní, Sportivo Luqueño e Rubio Ñu. O capitão da seleção, Gustavo Gómez, em comunicado nas redes sociais, afirmou que os jogadores também foram vítimas da situação e exigiu ações imediatas do governo e da justiça.

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