O Governo de Roraima suspendeu as autorizações para uso do fogo controlado e prescrito por 15 dias, medida anunciada em coletiva de imprensa na quinta-feira (15) em Boa Vista. A decisão foi tomada por unanimidade pelo Comitê Estadual de Queimadas em reunião na quarta-feira (14). O grupo poderá reavaliar a medida após dez dias, conforme a evolução das condições climáticas e dos indicadores de risco.
O aumento dos focos de calor entre 1º e 14 de outubro de 2026 foi de 174 ocorrências, contra 50 no mesmo período de 2025, representando um aumento de 248%. Roraima já acumulou 2.149 focos de calor em 2026, próximo da média histórica anual de 2.155. Os municípios com maior número de focos de calor no período foram Rorainópolis (42), Pacaraima (27), Caracaraí (17), Caroebe (16), Normandia (16), Cantá (13), Bonfim (12), São João da Baliza (11) e Uiramutã (11).
O rio Branco registrou 55 centímetros de profundidade na manhã de 15 de outubro de 2026, segundo dados da Caer apresentados pelo meteorologista Ramón Alves. O nível estava 1,60 metro abaixo da média histórica para outubro, que é de aproximadamente dois metros. O comandante-geral do CBMRR, coronel Anderson Carvalho de Matos, informou que o rio baixou 1,60 metro nos primeiros 15 dias de outubro e pode baixar mais 25 centímetros nos próximos sete dias.
A Femarh vai usar o Sistema Integrado de Gestão Ambiental (Sigal) para cruzar dados de focos de calor com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) para identificar responsáveis por queimadas ilegais. Qualquer foco de calor detectado durante o período de suspensão será considerado ilegal e poderá resultar em responsabilização administrativa, civil e penal. O Estado está em situação de emergência desde 02 de setembro de 2026, por 180 dias, devido à estiagem classificada como desastre de nível 2.
O Gabinete Integrado El Niño 2026-2027 foi criado, coordenado pela Casa Civil e pela Defesa Civil Estadual, com participação de 19 órgãos e entidades. A Caer mantém três ETAs e 110 poços em Boa Vista, com produção estimada de 1.650 litros por segundo, e prevê perfuração de novos poços e instalação de motobomba de 300 CV no rio Branco. No interior, a Caer adotou medidas em Rorainópolis (quatro novos poços previstos), Caroebe (dois poços), Vila Félix Pinto (poço ou caminhão-pipa), Pacaraima (dois caminhões-pipa) e Vila Vista Alegre (um caminhão-pipa). A Sesau prepara a rede de saúde para os efeitos da estiagem, com monitoramento epidemiológico, logística de atendimento e previsão de sais de reidratação oral nas UBSs. A Associação dos Produtores de Soja de Roraima (Aprosoja) projeta perda de 50% na produtividade da safra de grãos devido à estiagem.


