O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a suspensão imediata de um site que oferecia criptomoedas a usuários que divulgassem conteúdo político-eleitoral a favor de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência em 2026. A medida atendeu a um pedido da coligação do presidente Lula, que ingressou com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) na quinta-feira (9), alegando abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação.
O site, chamado ‘Brasil 22 Token (B22)’, foi promovido no Instagram pelo perfil @hyperskidsafrica, que representa crianças ugandenses e possui 12,9 milhões de seguidores. A iniciativa também prometia ajudar a construir uma casa em Kampala, Uganda, usando os recursos arrecadados com a distribuição dos tokens, avaliados pelo grupo em US$ 20 mil.
A ministra do TSE, Estela Aranha, determinou o fim da distribuição dos tokens $B22, a remoção de todo conteúdo relacionado nas redes sociais e a preservação de postagens e dados dos envolvidos. A decisão incluiu ainda a quebra do sigilo dos dados cadastrais das contas de origem das criptomoedas, para fins de investigação.
Um post do perfil ugandense mostrava crianças dançando com camisetas da campanha e incentivava a compra da criptomoeda, citando Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Pablo Marçal. Após a decisão do TSE, o grupo afirmou que não queria se envolver em política, apagou o material e pediu desculpas.
O TSE considerou que o mecanismo configurava vantagem econômica vinculada à divulgação de conteúdo político-eleitoral, o que é vedado pela lei eleitoral. A ação foi motivada pela suspeita de que o site estaria estruturando uma forma de compensação financeira em troca de propaganda eleitoral, prática proibida pela legislação vigente.


