Moradores da Vila Vista Alegre, em Caracaraí, temem perder suas casas em uma disputa judicial por terras que envolve cerca de 600 famílias. A preocupação é de ter que abandonar o lar e começar do zero, sem saber para onde ir, conforme relatado por servidora pública da comunidade. A situação tem gerado incerteza entre os ocupantes há décadas.
A Comissão Regional de Soluções Fundiárias do Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR) realizou uma vistoria técnica entre os dias 7 e 9 de outubro de 2026 para identificar e delimitar a área ocupada. A atividade faz parte de um acordo administrativo firmado em abril deste ano entre as partes envolvidas no conflito fundiário.
O prazo estimado para conclusão do relatório técnico é de 30 a 90 dias após a vistoria. Depois disso, o documento será encaminhado para análise judicial e subsidiará a definição dos próximos passos do processo de regularização fundiária na região.
A Defensoria Pública do Estado de Roraima representa parte dos moradores e acompanha o caso com apoio do Grupo de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos (GPDH). A defensora pública Maria das Graças Barbosa Soares, titular da unidade de Caracaraí, afirmou que cobrou o início das medidas previstas no acordo administrativo.
O levantamento considera documentos oficiais, informações técnicas e o histórico da comunidade, incluindo registros de sepultamentos no cemitério local desde 1926. A pescadora Hudislane Rodrigues Siqueira, nascida na Vila Vista Alegre, destacou a importância do trabalho para esclarecer a situação das terras.
A proposta prevê que, após a identificação da área e análise da documentação, a Prefeitura de Caracaraí doe os terrenos aos moradores. Em seguida, o Instituto de Terras e Colonização de Roraima (Iteraima) deverá emitir os títulos definitivos de propriedade. Enquanto aguardam o relatório, os moradores continuam recebendo orientação da Defensoria Pública e acompanhando os processos judiciais.


