Em setembro, a Polícia Federal deflagrou a Operação Ouro Negro em Roraima, com foco na facilitação de licenças ambientais e no transporte ilegal de cassiterita extraída da Terra Indígena Yanomami, tendo como alvo funcionários da Fundação Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh).
De acordo com a investigação, a mineradora brasileira White Solder é ré na Justiça Federal por supostamente fornecer estanho obtido a partir da cassiterita a empresas norte‑americanas que mantêm contratos com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
Entre maio de 2023 e agosto de 2025, a White Solder teria exportado ao menos 525 toneladas de estanho para a Indium Corporation, que fornece soldas à Raytheon, empresa de sistemas de defesa. No mesmo período, entre agosto de 2021 e agosto de 2025, a companhia enviou cerca de 2,4 mil toneladas de estanho à Nathan Trotter, outra empresa dos EUA.
Em setembro de 2024, o Departamento de Defesa dos EUA destinou US$ 19 milhões à Nathan Trotter para ampliar a capacidade de fundição, refino e reciclagem de estanho, reforçando o vínculo entre o mineral proveniente da Yanomami e a cadeia de defesa americana.
A investigação também identificou que multinacionais como Amazon, Microsoft, Disney, Intel, NVIDIA, AMD, Rocket Lab e Sony listaram a White Solder como possível fornecedora em relatórios sobre minerais de conflito apresentados à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA.
Na mesma semana, a Operação Disco de Ouro trouxe à tona suposta ligação do cantor Alexandre Pires com o garimpo ilegal de cassiterita na Terra Yanomami, ampliando o escopo das investigações sobre o comércio ilícito do mineral.
Autoridades da Polícia Federal ainda não divulgaram detalhes sobre eventuais prisões ou medidas cautelares, mantendo a investigação em curso e ressaltando a necessidade de aprofundar a apuração dos vínculos entre o garimpo ilegal e as cadeias produtivas internacionais.


