Em agosto, a recém‑criada 3D Minerals, fundada em 20 de junho em Belo Horizonte, recebeu um empréstimo de R$ 152,9 milhões do Banco Master para financiar a compra de 116 áreas de minerais críticos leiloadas pela ANM, totalizando cerca de 6.462 km².
O leilão, realizado apenas 45 dias após a fundação da empresa, resultou em lances que somaram R$ 54,8 milhões, conforme dados da Agência Nacional de Mineração.
Investigações revelam que as áreas adquiridas se sobrepõem ou impactam 127 áreas protegidas, abrangendo dez terras indígenas – entre elas a Terra Indígena Yanomami –, cinco territórios quilombolas, 23 unidades de conservação e 89 assentamentos de reforma agrária.
Desde 2020, a região da Terra Yanomami tem sido alvo de exploração ilegal de cassiterita, com movimentação de R$ 250 milhões em transações de minério extraído sem autorização, segundo o Ministério Público Federal.
A situação levanta questionamentos sobre a compatibilidade do financiamento bancário com a preservação de áreas protegidas, enquanto autoridades ainda não se manifestaram sobre possíveis medidas regulatórias.


