O ex-senador Telmário Mota, de 68 anos, foi preso novamente nas primeiras horas desta quarta-feira (28), na Fazenda Caçada Real, na zona rural de Boa Vista. Equipes da Delegacia Geral de Homicídios (DGH) da Polícia Civil cumpriram um mandado de prisão preventiva no processo em que ele é réu pelo homicídio qualificado de Antônia Araújo de Sousa, de 52 anos, morta em setembro de 2023.
Segundo a Polícia Civil, o ex-senador não ofereceu resistência e foi levado à sede da DGH para os procedimentos legais. A ação foi coordenada pelo delegado Thiago Alexandre. Telmário deve passar por audiência de custódia ainda nesta quarta-feira.
Justiça negou pedido da defesa
O novo mandado foi expedido em 22 de outubro. Dois dias antes, o juízo responsável pelo caso negou um pedido da defesa para revogar a prisão preventiva ou trocá-la por medidas cautelares. Os advogados alegaram agravamento do estado de saúde do ex-senador, mas a Justiça entendeu que continuavam presentes os motivos da prisão, como a garantia da ordem pública e a conveniência da instrução criminal.
Telmário cumpria prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica, desde abril de 2025, quando a Justiça autorizou a saída dele da cadeia por problemas de saúde.
A defesa afirma que a nova prisão é ilegal e que o ex-senador está muito doente. O advogado Diego Rodrigues disse que há um conflito entre decisões judiciais: o juízo da execução penal vinha prorrogando a prisão domiciliar, enquanto o juízo do processo de homicídio manteve a preventiva. Ele afirmou acreditar que o cliente voltará para a prisão domiciliar.
Relembre o caso
Antônia Araújo de Sousa foi morta com um tiro na cabeça na manhã de 29 de setembro de 2023, quando saía de casa, no bairro Senador Hélio Campos, zona Oeste de Boa Vista. Segundo a investigação, um homem numa motocicleta chamou a vítima pelo nome, confirmou a identidade dela, atirou e fugiu.
A Polícia Civil apontou Telmário como suspeito de ser o mandante do crime. Um sobrinho dele foi apontado como responsável pelo planejamento e pela logística, e outro homem, como o suposto autor do disparo. Uma assessora do ex-senador também foi investigada por suspeita de monitorar a vítima e repassar informações. De acordo com as apurações, a Fazenda Caçada Real, onde ele foi preso nesta quarta, teria sido usada para reuniões de preparação do crime.
Antônia era mãe de uma filha do ex-senador. A jovem havia acusado o pai de violência sexual, e a mãe seria ouvida nesse processo poucos dias depois de ser assassinada. A possível ligação entre os dois casos foi investigada pela polícia.
Telmário foi preso pela primeira vez em 30 de outubro de 2023, em Nerópolis (GO), cerca de um mês após o assassinato. Em dezembro daquele ano, a prisão temporária foi convertida em preventiva.


