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ALERR reforça relevância da lei estadual de conscientização sobre misofonia

Condição pouco conhecida causa aversão a sons comuns e afeta o bem-estar emocional de quem convive com o distúrbio

A irritação intensa ao ouvir sons como mastigação, respiração forte, clique de caneta ou digitação pode parecer exagero para muitos, mas é um sintoma real de uma condição chamada misofonia. O termo, que significa literalmente “ódio ao som”, descreve uma reação emocional desproporcional a determinados ruídos, pois provocam sentimentos de raiva, ansiedade, desconforto ou angústia.

Em Roraima, a Lei Estadual nº 1.744/2022 institui o Dia Estadual de Conscientização sobre a Misofonia, celebrado nesta quarta-feira (12). A proposta tem como objetivo ampliar o debate sobre a condição, estimular o diagnóstico precoce e combater o estigma de que se trata apenas de “frescura” ou “mania”.

O presidente da Casa Legislativa, deputado Soldado Sampaio (Republicanos), destacou a necessidade de debater leis que tratam de temas ligados à saúde mental e às condições sensoriais. Segundo ele, trazer essas discussões para o Parlamento roraimense é essencial para fortalecer políticas públicas de informação e acolhimento.

“É uma forma de sensibilizar a sociedade e os próprios órgãos públicos sobre a importância de compreender e apoiar quem vive com transtornos e fobias sensoriais. A Assembleia tem papel fundamental nesse processo de dar visibilidade e promover empatia”, ressaltou o parlamentar.

O que é a misofonia

De acordo com o fonoaudiólogo e audiologista Cristhian Melo, a misofonia é considerada uma condição de hipersensibilidade auditiva seletiva, caracterizada por respostas emocionais e fisiológicas intensas a sons específicos e repetitivos. Ele explica que o incômodo não está relacionado ao volume do som, mas a um processamento neural diferente.

“A misofonia não é um problema na orelha, e sim em como o cérebro processa e interpreta certos sons. Há alterações em regiões cerebrais que integram o sistema auditivo, o sistema límbico e o sistema pré-frontal. Sons como respiração, mastigação ou estalos provocam respostas emocionais e físicas desproporcionais no paciente”, explicou.

O diagnóstico, segundo o profissional, é feito a partir de exames audiológicos detalhados, com apoio de otorrinolaringologistas, para descartar outras causas auditivas e confirmar o quadro.

“Na fonoaudiologia, trabalhamos com terapias sonoras, treinamento auditivo e reabilitação, sempre em conjunto com psicólogos e psiquiatras, buscando aumentar a tolerância aos estímulos e melhorar a qualidade de vida”, completou.

Impactos emocionais e tratamento psicológico

O psicólogo Wagner Costa destacou que a misofonia pode afetar a vida social e emocional do indivíduo. “Muitas pessoas nestas condições passam a evitar lugares públicos, refeições em grupo ou encontros familiares, temendo perder o controle. Com o tempo, isso leva ao isolamento e até ao surgimento de sintomas de depressão e ansiedade”, observou.

Segundo ele, o tratamento psicológico é essencial para ajudar o paciente a compreender as próprias reações e desenvolver estratégias de enfrentamento.

“A terapia cognitivo-comportamental tem mostrado bons resultados ao ensinar o paciente a reestruturar pensamentos e controlar as respostas fisiológicas aos sons. O objetivo é retomar atividades, reduzir a evitação e fortalecer o equilíbrio emocional”, concluiu.

Texto: Anderson Caldas

Fotos: Jader Souza, Eduardo Andrade e Arquivo Pessoal

SupCom ALE-RR

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