ALERR promove mobilização pelo fim do trabalho análogo à escravidão em Boa Vista

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Boa Vista (RR) – Em comemoração ao Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, celebrado em 28 de janeiro, a Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), por meio do Programa de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania (PDDHC), realizou, na tarde desta quarta-feira (28), uma mobilização na Praça das Águas, um dos principais cartões postais da capital. A ação teve o objetivo de sensibilizar a população sobre a persistente realidade do trabalho análogo à escravidão no Brasil, especialmente em Roraima, estado que, por ser fronteiriço com a Venezuela e a Guiana, se torna um ponto estratégico para crimes como o tráfico de pessoas e o trabalho escravo.

Durante a mobilização, equipes do PDDHC distribuíram materiais informativos e orientaram a população sobre as formas de exploração e as redes de aliciamento que atuam na região. Socorro Santos, diretora do PDDHC, explicou que a situação de vulnerabilidade social e econômica é frequentemente explorada por aliciadores, que atraem vítimas com promessas de dinheiro fácil, como a oferta de grandes salários para trabalhar no campo ou em garimpos.

“É uma prática muito comum, especialmente em momentos de crise. Pessoas em situação de vulnerabilidade são seduzidas com promessas de R$ 10 mil em uma semana. Ao chegarem ao destino, se deparam com condições degradantes de trabalho e, muitas vezes, sem condições de voltar para casa”, afirmou Santos.

Parceria com o Ministério do Trabalho

A mobilização contou com o apoio do Ministério do Trabalho em Roraima, por meio da auditora fiscal Thaís Castilho, que destacou a importância da parceria entre os órgãos responsáveis pelo combate ao trabalho análogo à escravidão. “A colaboração entre as entidades é essencial para garantir que as vítimas tenham acesso aos canais de denúncia e para que as operações de fiscalização sejam mais eficazes. No ano passado, conseguimos resgatar cinco trabalhadores que estavam sendo explorados em condições análogas à escravidão no estado”, informou Castilho.

A auditora também enfatizou que o trabalho conjunto possibilita a triagem eficiente de denúncias e o envio de equipes móveis para as localidades onde há indícios de exploração.

Impactos da migração

A migração, especialmente de imigrantes venezuelanos e de outras nacionalidades, tem aumentado a complexidade do problema no estado. O servidor público Marlo Melo, que foi abordado pela equipe do PDDHC, reforçou a relevância da temática, relatando um episódio vivido pessoalmente: “Já presenciei o desaparecimento de uma criança na Rodoviária Internacional de Boa Vista, e o desespero dos familiares foi enorme. São situações como essas que nos fazem perceber a urgência de combater o tráfico e o trabalho análogo à escravidão”, destacou Melo.

Ações em nível nacional

Em 2025, o Governo Federal intensificou as ações de fiscalização em todo o país, com a realização de 1.594 fiscalizações e o resgate de 2.772 trabalhadores em condições análogas à escravidão. Além disso, o Disque Direitos Humanos – Disque 100 registrou 4.516 denúncias relacionadas a trabalho escravo em 2025, o maior número desde a criação do serviço. A alta nos registros reflete, de acordo com o Ministério dos Direitos Humanos, o aumento da conscientização da população e o maior acesso a canais de denúncia.

Diferença entre trabalho escravo e trabalho análogo à escravidão

Embora os termos sejam frequentemente usados como sinônimos, há diferenças importantes entre trabalho escravo e trabalho análogo à escravidão. O trabalho escravo, embora abolido no Brasil em 1888, refere-se à prática histórica de tratar indivíduos como propriedade, sem direitos ou liberdade. Já o trabalho análogo à escravidão ocorre nos dias atuais e envolve condições de trabalho degradantes, jornada exaustiva, restrição de liberdade, retenção de documentos e trabalho forçado, entre outras formas de exploração.

PDDHC e canais de denúncia

O Programa de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania (PDDHC) da ALERR tem como missão promover a defesa dos direitos humanos, oferecendo acolhimento e atendimento especializado a vítimas de violações. O programa também realiza ações educativas e oferece apoio à sociedade no combate à violência e à opressão.

Canais de denúncia:

  • Disque 100 (Direitos Humanos)
  • Disque 180 (Violência contra a Mulher)
  • Polícia Civil (181)
  • Polícia Rodoviária Federal (191)
  • Polícia Federal (3621-1515)
  • Plataforma online Sistema IPÊ – Trabalho Escravo: ipe.sit.trabalho.gov.br

As vítimas podem também procurar atendimento diretamente na sede do PDDHC, localizada na Avenida Ville Roy, nº 5717, sala 112, 1º andar, Boa Vista – RR, ou entrar em contato pelo telefone (95) 98402-1493 ou pelos e-mails programapdhc@gmail.com e traficodepessoas.rr@gmail.com.

Conclusão

O PDDHC reafirma seu compromisso com a luta pela proteção dos direitos humanos em Roraima, especialmente no combate ao trabalho análogo à escravidão, um problema que afeta não apenas o estado, mas o Brasil como um todo. A mobilização realizada na Praça das Águas é uma das muitas iniciativas que visam ampliar a conscientização e o acesso à informação para as vítimas, ajudando a identificar e punir os responsáveis por essa grave violação de direitos humanos.

Texto: Monica Gizele
Fotos: Jader Souza
SupCom ALERR – 28.01.2026

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